A participação da MAAB Consulting na 4.ª edição da Conferência Internacional Portuguese Stone – The Natural Path+, organizada pela ANIET, reuniu empresas, especialistas e representantes da fileira para refletir sobre o futuro da internacionalização da indústria portuguesa da pedra natural. Das conversas ficou uma convicção: os mercados do Golfo continuam a representar uma das oportunidades mais relevantes para o setor. A verdadeira questão já não é se existe procura por pedra natural no Golfo. É quem estará preparado para a acompanhar, num mercado que evolui rapidamente em sofisticação e exigência.
O crescimento da construção nos países do Golfo tem uma explicação mais profunda do que o aumento da população ou a urbanização acelerada. Está ligado às estratégias de diversificação económica que estes países vêm seguindo, da Saudi Vision 2030 às políticas semelhantes dos Emirados Árabes Unidos, ambas apostadas no turismo, nas infraestruturas e no desenvolvimento urbano para reduzir a dependência do petróleo. Os giga-projetos sauditas são um bom retrato dessa ambição: segundo a Knight Frank, o valor dos contratos atribuídos a estes projetos registou um crescimento de 20% em 2025, para 196 mil milhões de dólares, um valor que ajuda a explicar por que motivo a Mordor Intelligence estima que o mercado da construção em todo o Golfo ultrapasse os 454 mil milhões de dólares até 2031.
É neste contexto que a pedra natural ganha peso. A NEOM, o Red Sea Global, a Diriyah Gate ou a Qiddiya procuram construir com qualidade premium e identidade própria, recorrendo a materiais capazes de transmitir autenticidade que o sintético dificilmente iguala. Hoje lideram a procura a hotelaria de luxo, o residencial premium e os grandes equipamentos públicos, um cenário bem diferente do de há uns anos. Cadeias como a Marriott, a Hilton, a Four Seasons ou a Accor representam uma parte significativa da nova oferta hoteleira, com cadernos de encargos que privilegiam fornecedores certificados. O mesmo padrão repete-se no residencial premium: em 2025, as branded residences no Dubai cresceram 26% em transações e 51% em valor, segundo a CBRE. Projetos como o King Salman Park ou o New Murabba, que integram museus e centros culturais, confirmam que esta procura é estrutural, e que a oportunidade concreta para a indústria portuguesa está sobretudo na pedra trabalhada e certificada, não na pedra em bruto.
Portugal está bem posicionado para responder a esta procura, com mármores, granitos e calcários de reconhecimento internacional, uma indústria que investe em tecnologia e personalização, e décadas de certificações e experiência exportadora. Os países do Golfo dispõem de poucos recursos geológicos equivalentes e continuam a depender da importação de pedra já trabalhada, sobretudo de Itália e Espanha, o que deixa a Portugal com uma fatia real de um fornecimento que já existe. As exportações portuguesas de pedra natural somaram 421,1 milhões de euros nos primeiros onze meses de 2025, segundo a Assimagra. Esse valor refere-se só ao comércio externo da pedra; o setor no seu conjunto, que inclui toda a cadeia de transformação, representa, segundo a ANIET, mais de mil milhões de euros em exportações e mais de doze mil postos de trabalho diretos.
Mas um bom produto já não chega sozinho. Grande parte das decisões de especificação acontece muito antes da compra, quando arquitetos e promotores ainda estão a definir os materiais do projeto. Estar presente nesta fase inicial, próximo de quem decide, e responder à crescente exigência de rastreabilidade e certificação ambiental dos materiais, é o que separa quem se posiciona de forma sustentável de quem compete apenas por propostas pontuais.
O Golfo deverá continuar a ser um dos principais mercados internacionais para materiais de construção de gama alta ao longo desta década. Portugal tem os recursos, a indústria e a reputação para responder a essa procura, mas o passo seguinte exige conhecimento do mercado, relações de confiança e uma estratégia internacional bem estruturada.
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