Do Deserto às Cidades: Landscaping para Climas Áridos na Região MENA

A ambição de transformar as paisagens urbanas do mundo árabe numa nova era de sustentabilidade desencadeou uma das maiores procuras globais por serviços de arquitetura paisagística, materiais de construção exterior e tecnologias ambientais. Do Norte de África às capitais do Golfo Pérsico, a visão tradicional de urbanismo deu lugar à necessidade urgente de criar infraestruturas verdes funcionais e resilientes ao clima extremo. Longe do paisagismo meramente decorativo, a prioridade dos governos e promotores imobiliários da região MENA centra-se agora no xeriscaping — a conceção de espaços exteriores com base na conservação hídrica rigorosa, na utilização de espécies adaptadas e na engenharia de solo desenhada para a aridez. 

No Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), este movimento é suportado por metas estatais sem precedentes. Iniciativas de grande escala como o Green Riyadh, na Arábia Saudita, que prevê a plantação de mais de 7,5 milhões de árvores e o aumento substancial das áreas verdes por habitante, transformaram a contratação de soluções para o espaço público num dos segmentos com maior dinamismo. Paralelamente, os requisitos de certificação ambiental nos megaprojetos costeiros do Mar Vermelho e no NEOM impõem que 100% da rega provenha de águas residuais tratadas e que a flora selecionada tolere elevada salinidade e stress térmico, gerando uma procura permanente por viveiros certificados, substratos enriquecidos com retentores hídricos e pavimentos permeáveis que previnam a acumulação de calor. 

No Norte de África, a dinâmica é igualmente atrativa. Em Marrocos, a requalificação urbana e a expansão de estâncias turísticas de luxo e campos de golfe rumo ao Mundial 2030 aceleraram a imposição de regras estritas contra o desperdício de água potável em espaços ajardinados. As autarquias e os promotores imobiliários privados procuram ativamente soluções que combinem a estética mediterrânica com sistemas de micro-rega automatizados e mobiliário exterior concebido para suportar intempéries extremas sem degradação precoce. 

Para o tecido empresarial português, as oportunidades de intervenção prática dividem-se em quatro frentes de elevado valor acrescentado. Em primeiro lugar, os gabinetes de arquitetura paisagística e engenharia agronómica, cuja experiência comprovada no clima mediterrânico permite desenhar planos diretores (master plans) que reduzem o consumo hídrico até 60% sem abdicar da densidade vegetal. Em segundo lugar, os viveiros de produção vegetal, com forte potencial de exportação de espécies arbóreas, arbustivas e suculentas mediterrânicas com elevada tolerância à seca e salinidade. Em terceiro lugar, a indústria de mobiliário urbano e iluminação pública, que se destaca pela produção de peças com materiais compósitos, madeiras tratadas, pedra natural portuguesa e estruturas metálicas anticorrosão, já preparadas para integrar painéis solares, carregamento de dispositivos e sombreamento térmico passivo. Por fim, o setor dos materiais e pavimentos técnicos, nomeadamente agregados inertes, sistemas urbanos de drenagem sustentável (SUDS) e grelhas de enrelvamento de alta resistência. 

O apelo financeiro destes mercados é evidente: a escala dos contratos públicos e privados na região MENA atinge valores superiores à média europeia, criando oportunidades relevantes para empresas capazes de combinar fiabilidade técnica, inovação, adaptação climática e cumprimento de prazos. No entanto, a entrada bem-sucedida nestes mercados exige uma abordagem integrada, capaz de responder simultaneamente às necessidades de projeto, sustentabilidade, eficiência hídrica e desempenho dos materiais. Para as empresas portuguesas, esta transformação urbana representa uma oportunidade concreta de internacionalização, particularmente em áreas onde a experiência adquirida em ambientes mediterrânicos pode ser adaptada às exigências dos mercados áridos do Médio Oriente e Norte de África.