O hidrogénio verde está a afirmar-se como uma das soluções mais promissoras para a transição energética global. A região do Magrebe, composta por Marrocos, Argélia e Tunísia, posiciona-se, de forma crescente, como um polo estratégico para a sua produção e exportação, graças à abundância de recursos naturais, à proximidade geográfica com a Europa e ao empenho político dos seus respetivos governos, o Magrebe está a transformar o seu potencial energético numa vantagem competitiva no emergente mercado internacional do hidrogénio verde.
Marrocos lidera esta dinâmica com uma estratégia nacional ambiciosa, que junta investimento público, cooperação internacional e inovação tecnológica. Com mais de 70 projetos relacionados com energias renováveis em desenvolvimento, e parcerias já firmadas com países como a Alemanha, os Países Baixos e Portugal, o país pretende tornar-se um dos principais exportadores de hidrogénio verde para o mercado europeu até 2030. A criação do Moroccan Hydrogen Cluster, em 2021, reflete esta aposta estrutural, assim como os investimentos em infraestruturas logísticas e portuárias em zonas estratégicas como Nador e Dakhla, que reforçam a vertente exportadora do país.
Na Tunísia, a aprovação da Estratégia Nacional para o Hidrogénio Verde, em 2024, marca um passo decisivo rumo à diversificação energética e à redução da dependência de combustíveis fósseis. O plano tunisino prevê, entre outras medidas, a criação de corredores energéticos para exportação através de infraestruturas interligadas com Itália. Já a Argélia, com tradição consolidada na área energética, anunciou recentemente planos para mobilizar até 13 GW de capacidade instalada de fontes renováveis até ao final da década, com vista à produção de hidrogénio limpo em larga escala, aproveitando também a sua rede de gasodutos como potencial canal de exportação adaptado.
O envolvimento ativo de instituições financeiras internacionais, como o Banco Europeu de Investimento (BEI), o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a International Renewable Energy Agency (IRENA), demonstra o interesse crescente na aceleração destes projetos através de financiamento sustentável, assistência técnica e capacitação. De acordo com relatórios recentes da IRENA, o norte de África poderá produzir hidrogénio verde a custos altamente competitivos, posicionando-se entre os mais baixos do mundo, o que abre portas não só à exportação em larga escala como à criação de cadeias de valor locais e regionais.
Para Portugal, esta dinâmica representa uma oportunidade estratégica concreta. As empresas nacionais com atuação nas áreas das energias renováveis, engenharia, ambiente, digitalização, infraestruturas e logística têm aqui um terreno fértil para desenvolver parcerias tecnológicas, prestar serviços especializados e participar em consórcios internacionais. A afinidade cultural e linguística, a par dos acordos de cooperação existentes, como o celebrado com Marrocos no domínio da transição energética, reforçam o posicionamento das empresas portuguesas neste novo contexto regional. Importa sublinhar que a transição para o hidrogénio verde exige mais do que tecnologia, requer também conhecimento técnico, capacidade de gestão, planeamento estratégico, certificação e um compromisso sólido com as metas ambientais. É precisamente neste plano que as empresas portuguesas podem destacar-se, nomeadamente nas fases de conceção, regulação, monitorização ambiental e formação institucional.
Paralelamente, o envolvimento de Portugal neste novo ecossistema energético poderá reforçar o seu posicionamento como elo estratégico entre a Europa e o norte de África, não apenas como consumidor ou importador, mas como parceiro ativo no desenvolvimento, inovação e sustentabilidade do setor. A criação de esforços ibero-magrebinos em torno do hidrogénio verde poderá dar origem a cadeias de valor resilientes, promovendo não só a segurança energética como também o crescimento económico sustentável em ambos os lados do Mediterrâneo.
Na MAAB, acompanhamos com atenção a evolução dos mercados árabes e as oportunidades emergentes no contexto da transição energética global, o hidrogénio verde no Magrebe não é apenas uma tendência, é uma realidade em desenvolvimento, com potencial transformador. Estamos preparados para apoiar as empresas portuguesas que queiram explorar este setor, estabelecer parcerias estratégicas e consolidar a sua presença na nova economia sustentável do norte de África.
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